Video Shack digitaliza o acervo audiovisual da Firjan
Mais de 2300 mil fitas e filmes serão convertidos para preservar a história da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. Os arquivos estarão disponíveis em três formatos para consulta, pesquisa e exibição na biblioteca da entidade.
A finalizadora carioca Video Shack venceu a licitação proposta pela Firjan para digitalização de todo acervo audiovisual de sua biblioteca. O acervo é composto por aproximadamente 1.735 horas de material gravadas nos formatos VHS, U-Matic, 1 Polegada, Betacam SP, 16 mm e em DVDs. Será o primeiro passo da entidade no seu projeto de media asset management (MAM).
Como as fitas e os filmes são muito antigos e estão arquivados há anos, antes da digitalização todas as unidades passarão por processo de limpeza e higienização para garantir a melhor qualidade possível na reprodução.
O trabalho não chega a ser uma restauração, mas prevê a limpeza de materiais com problemas de sujeira, mofo e até mesmo grudados. “As fitas são abertas uma a uma, limpas e desenroladas, num trabalho artesanal para deixa-las em condições de uso”, afirma Ricardo Langer, diretor técnico da Video Shack. “Iremos usar os melhores VTs disponíveis para salvar o conteúdo. As fitas U-Matic serão reproduzidas por decks da série BVU (Sony) e as fitas VHS por decks profissionais da série BR-S500U (JVC), que são raridades atualmente”, comenta Langer.
As fitas serão digitalizadas integralmente, sem seccionamentos por clipe, sendo que o conteúdo será classificado e catalogado pela biblioteca da entidade. Para essa segunda etapa, a Firjan possui biblioteconomistas treinados para integrar as informações de cada vídeo às ferramentas de pesquisa implantadas.
Processos e prazo
Cada hora de material digitalizado exige entre três e cinco horas para limpeza e preparação, além do ingest e codificação nas versões *.MOV (720×480) NTSC (CODEC DV); *.FLV 320×240; e DVD-Video.
Considerando que o VHS e o U-Matic têm qualidade inferior ao DV, o QuickTime será o formato master da Firjan. Essa escolha também foi definida levando em conta o pequeno espaço de armazenamento exigido para cada arquivo.
O formato *.FLV será usado pelo sistema de gerenciamento da biblioteca, que é baseado na Web e compatível com Flash. Os dados de cada filme serão vinculados ao respectivo arquivo para consulta imediata em baixa resolução, antes da solicitação dos arquivos de alta qualidade.
Já os DVDs serão a “redundância física” de todos os materiais, embora também possam ser emprestados quando for necessário exibir um vídeo em outro ambiente.
Processamento
O acervo da Firjan tem mais de 1700 horas gravadas em 2300 fitas e nas três primeiras semanas de trabalho a Video Shack processou mais de 220 fitas. A expectativa é completar o trabalho em até oito meses.
Todas as fitas chegam à empresa sem qualquer tipo de catalogação ou informações que pudessem ser usadas como metadados. Apenas para referência, foi atribuído um número arbitrário de controle, em comum acordo com a Firjan. “Não havia nada organizado, por isso estamos incluindo a numeração, o título e a duração, além de alguma observação técnica quando houver necessidade”, explica Langer.
O workflow adotado é baseado na plataforma Apple, com três estações de trabalho Mac Pro e placas de captura Blackmagic. Todo material reproduzido pelos VTs é convertido para o formato QuickTime. Na sequência, outras duas estações fazem as conversões para os formatos Flash e para MPEG-2 (DVD). Essa segunda etapa costume ser feita durante a noite, de maneira automatizada.
Todos os equipamentos estão ligados a uma central técnica equipada com processadores de sinal fabricados pela Leitch (hoje Harris), incluindo corretores de base de tempo e processadores ProcAmps e Comb Filter, indispensáveis para processar os sinais analógicos de vídeo composto altamente instáveis, provenientes de fitas VHS e U-Matic.
MAM corporativo
A Video Shack está no mercado há 16 anos e é considerada referência na prestação de serviços de cópias e transcodificações entre formatos profissionais de vídeo. Com a demanda pela migração digital intensificada na última década, a procura por projetos de MAM cresceu exponencialmente e tornou-se uma vertente natural dentro da especialidade da Video Shack.
“Cada vez mais desenvolvemos soluções customizadas para nossos clientes. Cada projeto de MAM é diferente do outro e não existe uma ‘receita de bolo’ padrão. Não podemos comparar as necessidades de uma emissora, por exemplo, com o que ocorre dentro do departamento de comunicação corporativa de uma multinacional”, explica Langer. A empresa já havia realizado trabalhos do gênero para outras empresas e fundações, mas não tão grandes quanto o feito para a Firjan. “É nosso maior projeto corporativo”.
Sobre o atendimento às emissoras de TV, o diretor ainda explica que elas costumam ter processos internos e não permitem que as fitas saiam do seu alcance. “O CEDOC das emissoras é muito valioso, é o coração do jornalismo, por isso elas precisam de um projeto interno, mesmo que a mão de obra seja terceirizada. O nosso foco é implantar o conhecimento de MAM no mercado corporativo, porque existem muitos acervos distribuídos pelo país que precisam ser digitalizados. Empresas como a Petrobras e Vale já se deram conta da importância dos seus ativos de mídia e sabem que, independente da qualidade, a informação contida nas fitas é muito importante”.
Langer lembra que a maior parte destes acervos corporativos está guardada em fitas VHS mofadas e são reproduzidas com muito custo. É muito comum ele receber pedidos desesperados para recuperar uma fita com um discurso ou uma reunião importante. “Nós queremos mostrar que esse não é o caminho ideal. O correto é migrar os acervos analógicos para uma mídia digital, usando um conceito que nasceu no mercado broadcast, mesmo conhecendo a dificuldade que é incutir essa ideia nas grandes empresas.”
Os clientes que contratam consultoria da Video Shack para implantação de sistemas MAM, nem sempre estão dispostos a grandes investimentos. Eles pedem apenas que possa haver uma integração dos arquivos com o sistema de gestão de biblioteca já está implantado na empresa. Isso abre as portas para soluções customizadas, com um workflow específico para cada projeto.
www.videoshack.com.br
Por Fernando Gaio
Gostou deste artigo?
Assine nosso RSS feed não perder nada.
Related posts:
- Tektronix Cerify garante verificação automatizada de vídeo baseados em arquivos para o Sony Media Backbone Conductor
- Merlin Video cria empresa de locação de equipamentos com estúdio para produção
- HDs SATA de alta capacidade para áudio e vídeo
- Front Porch Digital e Technicolor juntam forças
- Barco lança video walls 3D LED
